Aécio critica medida anunciada pelo governo para ampliar oferta de crédito

Após o governo federal anunciar, nesta quinta-feira (28), a abertura de linhas de crédito no valor de R$ 83 bilhões para estimular a economia, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), divulgou nota para criticar a decisão. O tucano afirmou que a presidente Dilma Rousseff “parece se esquecer” de que, sem confiança, os empresários não investirão no país.

O anúncio de abertura de linhas de crédito foi feito pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, durante entrevista coletiva após a reunião do do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o “Conselhão. A reunião desta quinta foi a primeira convocada por Dilma em um ano e meio e faz parte da estratégia do Planalto para encontrar alternativas que levem o país a superar a crise econômica.

“Mais uma vez, o governo sinaliza com o aumento de crédito subsidiado em mais de R$ 80 bilhões; a mesma política que foi adotada desde 2009 e que não levou ao aumento do investimento. A presidente parece esquecer que, sem confiança e credibilidade mesmo que houvesse queda dos juros, os empresários não irão investir sem que o governo aprove medidas estruturais de controle do gasto”, afirmou o senador na nota.

“Além disso, com o nível de endividamento das famílias hoje em 46% da renda e com o risco de perder emprego, os consumidores não entrarão em uma aventura de aumentar a sua dívida”, acrescentou.

Segundo Nelson Barbosa, o objetivo das linhas de crédito é estimular o nível de atividade econômica e tentar evitar um impacto maior da recessão na taxa de desemprego – que já vem crescendo nos últimos meses. “São R$ 83 bilhões que se podem abrir de novas operações de crédito utilizando melhor os recursos que já existem”, explicou o ministro.

Na nota, Aécio criticou o governo por não entender a “exata dimensão da gravidade da situação econômica do Brasil”. Para o senador, a melhor forma de combater a crise seria o governo reconhecer os próprios erros, ser mais transparente nas propostas e encaminhar ao Congresso Nacional conjunto de reformas estruturais.

“Medidas pontuais de expansão do crédito de bancos públicos aumentam o custo financeiro da dívida, o subsídio, e dificultam o ajuste fiscal”, disse o tucano.

Ao avaliar a reunião do “Conselhão” desta quinta, Aécio disse que a convocação do grupo pela presidente Dilma é uma “manobra midiática” do governo para tentar criar de forma “artificial” uma agenda positiva. Segundo o tucano, o resultado desse marketing do governo resultará na “crise de credibilidade” da atual gestão e dificultará o ajuste econômico que deve ser feito.

“A verdade é que sem o resgate da confiança, com a apresentação de uma agenda clara de reformas, não haverá o retorno dos investimentos e, sem eles, não superaremos nossas enormes dificuldades. E esse governo, ao que parece, infelizmente, já não tem mais condições de nós tirar do atoleiro em que ele próprio nos jogou”, concluiu o parlamentar.

Saiba quais são as linhas de crédito anunciadas nesta quinta pelo governo e os valores:

– R$ 10 bilhões para pré-custeio da safra agrícola 2016/2017 via Banco do Brasil
– R$ 10 bilhões em recursos do FGTS para instituições financeiras contratarem novas operações de crédito imobiliário
– R$ 22 bilhões em recursos do FI-FGTS (fundo de investimento do FGTS) em crédito para operações de infraestrutura
– R$ 5 bilhões do BNDES para capital de giro para as micro e pequenas empresas
– R$ 4 bilhões em linhas de pré-embarque para exportações via BNDES
– R$ 15 bilhões do BNDES para refinanciamento das operações que estão vencendo do PSI e do Finame com taxas de mercado, sem subsídio
– R$ 17 bilhões (estimativa do governo) em recursos do FGTS para consignado ao setor privado com garantia da multa por demissão e 10% do saldo dos depósitos existentes

Veja abaixo a íntegra da nota divulgada por Aécio Neves:

Nota do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves

A presidente Dilma reuniu hoje o CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) para tratar de uma suposta pauta positiva para o país. Infelizmente, a presidente com essas ações levanta dúvidas ainda maiores sobre o real compromisso do governo no encaminhamento de reformas para a superação da crise.

Mais uma vez, o governo sinaliza com o aumento de crédito subsidiado em mais de R$ 80 bilhões;  a mesma politica que foi adotada desde 2009 e que não levou ao aumento do investimento. A presidente parece esquecer que, sem confiança e credibilidade mesmo que houvesse queda  dos juros, os empresários não irão investir sem que o governo aprove medidas estruturais de controle do gasto. Além disso, com o nível de endividamento das famílias hoje em 46% da renda e com o risco de perder emprego, os consumidores não entrarão em uma aventura de aumentar a sua dívida.

Causa surpresa que, apesar do elevado desequilíbrio fiscal, o governo ainda insista em falar em banda fiscal. O que é preciso é o compromisso claro do governo Dilma com alguma meta de primário, qualquer que seja essa meta, e o encaminhamento ao Congresso Nacional de um conjunto de reformas estruturais que sinalizem para o menor crescimento do gasto público.

Mas o governo, mesmo depois de 13 anos no poder, não tem ainda convicção do que fazer. Qual proposta do governo de reforma tributária? Qual a proposta do governo de reforma da previdência? Qual a proposta do governo para retomar os investimentos no setor de petróleo? Simplesmente não sabemos.

É inútil reunir 92 pessoas quando todos nós sabemos que hoje o maior empecilho para se estabelecer o consenso mínimo para reformas estruturais é a posição do Partido dos Trabalhadores que tem se mostrado contrário ao ajuste fiscal e demanda a volta da desastrosa política econômica denominada “Nova Matriz Econômica”.

Infelizmente, o governo parece ainda não ter a exata  dimensão da gravidade da  situação econômica do Brasil. A melhor forma de o governo combater a crise econômica, moral e de credibilidade é reconhecendo os seus erros, sendo mais transparente nas suas propostas e, com o apoio  da sua base, encaminhar ao Congresso Nacional um conjunto de reformas estruturais. Medidas pontuais de expansão do crédito de bancos públicos aumentam o custo financeiro da dívida, o subsídio, e dificultam  o ajuste fiscal.

Infelizmente, ao invés de mostrar concretamente suas propostas de reformas, o governo federal mais uma vez faz uso de manobras midiáticas para tentar artificialmente criar uma agenda positiva. No final, essas medidas de marketing apenas agravarão a crise de credibilidade deste governo e dificultarão ainda mais o ajuste macroeconômico a ser feito.

Infelizmente, o governo está perdido em meio a crises de naturezas diversas que vêm empobrecendo os brasileiros e tirando deles a esperança de um futuro melhor.  E mais uma vez faltou a coragem necessária para fazer o que precisa ser feito

A verdade é que sem o resgate da confiança, com a apresentação de uma agenda clara de reformas, não haverá o retorno dos investimentos e, sem eles, não superaremos nossas enormes dificuldades. E esse Governo, ao que parece, infelizmente,  já não tem mais condições de nós tirar do atoleiro em que ele próprio nos jogou.

Fonte: Portal G1

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