Armstrong é investigado por fraudes

Em cinco anos, o Grupo Ecohouse investiu cerca de R$ 150 milhões, no Rio Grande do Norte, sem comprovação fiscal o que atraiu a atenção da Receita Federal e levou à deflagração pela Polícia Federal da “Operação Godfather” na manhã de ontem (30). A PF apura crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e tributária e formação de quadrilha atribuídos ao grupo que patrocinava o Alecrim Futebol Clube. O principal investigado é o empresário Anthony Armstrong, ex-presidente do Alecrim e proprietário de um clube na cidade de Monza, na Itália.

De acordo com Marcos Hubner Flores, delegado da Receita Federal em Natal, que auxiliou o trabalho policial, as investigações começaram, em agosto, após um relatório do  Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) indicar possíveis transações financeiras fraudulentas na empresa. 

“Este grupo começou a atuar no país em 2009, com sede em Natal e filial no Ceará. Nestes cinco anos, cerca de R$ 150 milhões de capital investido estão sem comprovação de origem”, declarou Marcos Flores. Ainda segundo as investigações, o principal alvo dos suspeitos era o investimento estrangeiro. Somente no mercado de Cingapura, foram lesados pelo grupo cerca de 2 mil investidores, sendo que cada cota vendida naquele país equivalia a 46 mil dólares. 

Segundo os delegados, a fraude funcionava da seguinte maneira: um dos “cabeças” da empresa viaja até o exterior, se apresentava como representante do grupo e, prometendo ganhos na ordem de 12 a 20% ao ano, em cima do dinheiro aplicado, recolhiam o investimento. Este capital era aplicado na empresa, porém, não voltava para os investidores. 

“Pelas investigações, o grupo tinha três ‘cabeças’ e alguns laranjas, cerca de sete ou oito, que auxiliavam as fraudes. O ramo desse grupo financeiro era o imobiliário, mas, estavam atuando também na intermediação financeira, através de investimentos estrangeiros. Agora, nosso objetivo é confirmar como funcionava o repasse desse capital no país, já que a empresa ainda está ativa”, frisou o delegado Rubens França.

Ainda conforme informações divulgadas pelos delegados, foram pedidos mandados de prisão para os investigados, no entanto, não foi acatado pela Justiça. “As buscas ocorreram no Rio Grande do Norte e no Ceará, nesse primeiro momento, mas há possibilidade de isto se expandir para outros estados da federação. Assim como há também indícios de que as mesmas fraudes estariam sendo realizadas na Itália. Já identificamos os proprietários de fato e os de direito e vamos aguardar a conclusão da verificação dos documentos apreendidos, para prosseguir com o caso”, salientou Rubens França. 

Na manhã de ontem, 50 policiais federais e 12 fiscais da Receita cumpriram dez mandados de busca e apreensão (oito em Natal, um em Pipa/RN e um em Fortaleza/CE), recolhendo provas. Documentos e computadores foram apreendidos em endereços do Grupo Ecohouse. Sobre os próximos passos da investigação, Rubens França, responsável pelo caso, afirmou que os documentos apreendidos serão verificados, em novo processo da operação. 

Com pendências, grupo está inscrito em banco do TST
A empresa Ecohouse está com o nome negativado no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), devido ao descumprimento de obrigações estabelecidas em dois processos trabalhistas em curso no Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT/RN). A informação consta em certidão expedida ontem (30/10) às 18:45:19, à pedido da TRIBUNA DO NORTE. 

A inscrição no BNDT ocorre em caso de descumprimento de sentença condenatória transitada em julgado ou de acordos judiciais trabalhistas.Conforme pesquisa realizada no sistema de Processo Judicial Eletrônico do TRT-RN,  foram localizados 81 processos  trabalhistas contra a Ecohouse. 

O grupo Ecohouse é uma empresa do ramo da construção civil e possui sede em Toronto (Canadá), Londres (Inglaterra), Shangai (China) e Kuala Lumpur (Malásia). Segundo o site da empresa tem, em Natal, tem 17 funcionários. A TRIBUNA DO NORTE tentou contato com a empresa, mas não obteve resposta. A Sede da empresa, na Rua Trairi, 522, não funcionou durante a tarde de ontem. 

Fonte: Tribuna do Norte

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