BC vai monitorar cenário externo para definir próximos passos nos juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou nesta quinta-feira (28) que continuará monitorando a evolução do cenário econômico para, então, definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária, ou seja, de definição dos juros para conter as pressões inflacionárias. Na semana passada, o Copom manteve os juros estáveis em 14,25% ao ano pela quarta vez seguida.

“As incertezas em relação ao cenário externo se ampliaram, com destaque para a crescente preocupação com o desempenho da economia chinesa e seus desdobramentos e com a evolução de preços no mercado de petróleo”, avaliou o Banco Central, por meio da ata da reunião.

A instituição lembra que dois integrantes do Copom votaram pela alta dos subir os juros na ocasião, mas foram vencidos pela maioria dos integrantes do colegiado – que optou por manter a taxa novamente inalterada.

Segundo o BC, a maioria dos membros do Copom considerou que a “elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas, sobretudo mais recentemente, justifica continuar monitorando a evolução do cenário macroeconômico para, então, definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.

E acrescentou: “para estes membros, faz-se necessário acompanhar os impactos das recentes mudanças nos ambientes doméstico e externo no balanço de riscos para a inflação, o que, combinado com os ajustes já implementados na política monetária, pode fortalecer o cenário de convergência da inflação para a meta de 4,5%, em 2017”.

Mudança da sinalização e interferência política
O último encontro do Copom foi marcado por polêmica. Isso porque até o início da última semana, o BC vinha adotando um tom mais duro em seus comunicados, indicando que voltaria a subir a taxa de juros. A aposta, até então, era de um aumento de 0,5 ponto percentual, para 14,75% ao ano.

Entretanto, no mesmo dia em que teve início a reunião do Copom, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, rompeu o tradicional silêncio que antecede os encontros do Copom para dizer, por meio de nota à imprensa, que considerava “significativas” as revisões das projeções de crescimento em 2016 e 2017 do FMI para o Brasil [para baixo] e acrescentou que estas informações seriam “consideradas nas decisões do colegiado”.

Após esse recado de Tombini, o mercado passou a acreditar que o Copom poderia realizar um aumento menor nos juros, ou até mesmo mantê-los inalterados – o que de fato aconteceu. Economistas do mercado apontaram que o colegiado pode ter sucumbido a pressões políticas, uma vez que havia forte pressão do Partido dos Trabalhadores e do setor produtivo para que a taxa não fosse elevada.

Sistema de metas
Na mesma semana em que o BC manteve os juros estáveis, o mercado financeiro reforçou a dúvida de que o Copom estaria comprometido, de fato, com as metas de inflação e elevou, de forma mais intensa, as suas previsões para o IPCA (a inflação oficial) de 2016 e de 2017. A estimativa para este ano passou de 7% para 7,23% – acima do teto de 6,5% do sistema de metas – e, para 2017, avançou de 5,4% para 5,65%.

A autoridade monetária reafirmou, na ata do Copom, divulgada nesta quinta-feira, que buscará “circunscrever” o IPCA aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2016 (ou seja, trazer a taxa para até 6,5%) e, também, fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017.

Fonte: Portal G1

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