CNV identifica 1º desaparecido da ditadura com corpo localizado

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou nesta sexta-feira (29) que pertencem ao líder camponês Epaminondas Gomes de Oliveira os restos mortais exumados em setembro no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília. Este é o primeiro desaparecido político cujo corpo foi localizado pela comissão.

A CNV investigou as circunstâncias do assassinato e o paradeiro do corpo do comunista, que morreu na década de 70 sob custódia do Exército. Após exumação realizada em setembro do ano passado, um laudo técnico confirmou que Epaminondas estava enterrado em Brasília, mas a família nunca teve acesso aos seus restos mortais.

“Este é o primeiro caso em que a Comissão Nacional da Verdade consegue restituir à família os restos mortais de uma pessoa desaparecida por força da conduta do regime militar”, disse o coordenador da comissão, Pedro Dallari. “Entendemos esta é a situação mais dramática: uma família que não consegue saber exatamente o que houve com um de seus integrantes e onde estão os restos mortais”, concluiu.

Membro do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT) e do Partido Comunista, Epaminondas foi morto em 20 de agosto de 1971, aos 68 anos, no antigo Hospital de Guarnição de Brasília, atual Hospital Militar de Área de Brasília.

Dias antes de sua morte, ele havia sido preso pelo Exército em um garimpo na cidade de Ipixuna do Pará em decorrência da Operação Mesopotâmia, destinada a detectar focos de guerrilha na região do Bico do Papagaio.

Após colher mais de 40 depoimentos sobre o caso, a comissão concluiu que Epaminondas foi torturado com choques e espancamentos no Maranhão antes de ser levado para Brasília, onde ficou enclausurado. O camponês foi novamente torturado no Pelotão de Investigações Criminais da capital federal e morreu dias depois, conforme investigação da CNV.

A notícia da morte chegou até a família de Epaminondas, segundo documentos encontrados pela comissão. A filha do comunista, Beatriz de Oliveira, enviou uma carta ao presidente Médici pedindo que o corpo do pai fosse enviado para o Maranhão.

O Serviço Nacional de Informações afirmou na época da morte que o camponês havia morrido por “coma anêmico, desnutrição e anemia” e informou as coordenadas de sua sepultura no cemitério de Brasília. Essa foi a principal pista perseguida pela comissão.

Fonte: Portal G1

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