Defesa de Odebrecht diz que Lava Jato virou ‘reality show judiciário’

A defesa do presidente da Odebrecht S.A., Marcelo Odebrecht, fez uma série de críticas à condução da Operação Lava Jato, nesta segunda-feira (27). Para os advogados, a investigação virou um “reality show judiciário”. Os questionamentos sobre o andamento da operação foram feitos em uma petição, na qual esperava-se que fossem explicados os significados de anotações no celular de Marcelo Odebrecht.

“Em seu  afã de incriminar Marcelo a todo custo, a Polícia  Federal nem se deu ao trabalho de  tentar esclarecer as anotações com a única pessoa que poderia interpretá-las com propriedade – seu próprio autor. Ao reverso, tomou desejo por realidade e precipitou-se a cravar significados  que gostaria que certos termos e siglas tivessem”, pontuou a defesa, que critica a Polícia Federal e o juiz Sérgio Moro.

Conforme os advogados, os textos foram tirados de um programa de computador que limitava o número de caracteres para guardar as anotações. Por isso, dizem, havia as siglas no lugar de expressões inteiras.

Em outro trecho, eles ainda argumentam que se os policiais tivessem observado as anotações com neutralidade, não teriam considerado que “LJ” era Lava Jato. “Preferiu-se, entretanto, tomar “LJ” por  Lava  Jato ao invés de Lauro Jardim, e “ações B” como  providências  do  submundo, e não como alusões justamente à nota sobre a auditoria interna da Braskem publicada na mesma coluna. Lauro Jardim é jornalista e colunista da revista “Veja”. No entanto, eles não explicam o significado de outras siglas encontradas nas anotações.

Em um relatório da Polícia Federal, os policiais indicam que as anotações podem denotar uma estratégia de obstrução das investigaçoes da Lava Jato. No smartphone do executivo, conforme o inquérito protocolado na terça-feira (21), foram encontrados os seguintes textos, transcritos no formato original, conforme a Justiça:

“MF/RA: não movimentar nada e reimbolsaremos tudo e asseguraremos a familia. Vamos segurar até o fim
Higienizar apetrechos MF e RA
Vazar doação campanha
Nova nota minha midia?
GA, FP, AM, MT, Lula? ECunha? (…)”

Uma análise preliminar sugere que MF e RA são siglas referentes a Silva e Araújo, subordinados diretos de Odebrecht e também investigados por crimes de corrupção na Petrobras, segundo o juiz Sérgio Moro.

A anotação, explica o juiz, indica que ambos estariam sendo orientados a não movimentar suas contas e que, no caso de sequestro e confisco judicial de bens e valores, seriam reembolsados.

Críticas aos policiais e ao juiz
Os advogados consideram que a liberação de senhas eletrônicas  para acesso ao andamento dos processos da Lava Jato tem atrapalhado as defesas. “Sabedora de que a livre distribuição de chaves eletrônicas tornou os processos da Lava Jato uma  espécie  de reality show judiciário, a polícia lançou no mundo as anotações pessoais de Marcelo e as tortas interpretações que deu a elas, e aguardou que fossem quase instantaneamente noticiadas como verdades absolutas”, argumentaram os advogados.

“Ao que parece, quem tem um ‘plano em andamento’ é uma parcela da própria Polícia Federal: expiar seus aparentes pecados à custa de Marcelo, para tanto subvertendo o sentido de palavras e adivinhando o significado de siglas na forma que lhe convém”, afirmam os advogados.

“Considerando a aparente gravidade dessas anotações, antes de extrair as possíveis consequências jurídicas, resolvo oportunizar esclarecimentos das defesas dos executivos da Odebrecht, especialmente das de Marcelo Odebrecht, Márcio Faria e Rogério Araújo, acerca das referidas anotações”, disse Moro ao justificar o pedido.

Para a defesa, a análise de Moro foi precipitada. Eles afirmam ainda que o juiz não buscava a verdade com a intimação da defesa para explicar as anotações, pois concedeu um novo mandado de prisão contra Marcelo Odebrecht mesmo sem a resposta acerca das siglas. “A defesa não tem motivos para esclarecer palavras cujo pretenso sentido Vossa Excelência já arbitrou. Inútil falar para quem parece só fazer ouvidos de mercador”, dizem os advogados.

Por fim, a defesa pede ao juiz que a Polícia Federal tenha mais cautela ao colocar nos autos do processo documentos que não sejam diretamente relacionados às investigações. O pedido também se estende ao sigilo do inquérito que, para os advogados, “não tem logrado impedir reiterados vazamentos na imprensa”.

Outro lado
O juiz federal Sergio Moro disse que só se manifesta no processo e a Polícia Federal (PF) afirmou que não vai se manifestar sobre os documentos.

Fonte: Portal G1

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