Eleição permanece indefinida

A menos de seis meses da eleição para presidente, o Datafolha divulgou sua sétima pesquisa eleitoral. Eis as principais conclusões dos números que vieram a públicao até agora:

Lula perde votos – No discurso feito antes de se entregar à polícia, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou: “Quanto mais eles me atacam, mais cresce minha relação com o povo brasileiro”. A pesquisa revela o contrário. Com a prisão, a intenção de voto em Lula caiu – mais de um quarto na pesquisa espontânea (de 17% para 13%) e mais de 15% na estimulada, em que os critérios distintos dificultam a comparação. Aparentemente, o eleitor se dá conta de que é irrisória a chance de Lula estar na cédula (62% não creem que disputará a eleição) e escolhe outros candidatos. Nem Fernando Haddad nem Jaques Wagner (substitutos potenciais de Lula no PT), nem Gulherme Boulos nem Manuela D’Ávila (herdeiros aparentes designados por ele no discurso) aparecem com destaque. Lula ainda tem poder de dirigir votos (30% afirmam que votariam com certeza em quem ele indicar). Até agora, porém, isso não aconteceu. O candidato de esquerda mais bem colocado na ausência de Lula é Ciro Gomes (PDT), com 9%.

Joaquim Barbosa aparece – A filiação do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do processo do mensalão ao PSB surtiu efeito. Na pesquisa estimulada, ele aparece com entre 8% e 10% dos votos, dependendo do cenário simulado. É um patamar superior ao do ex-governador paulista Geraldo Alckmin (6% a 8%), suficiente para ele construir uma campanha com chances de vencer.

Marina cresce – Mesmo com o partido esvaziado e condições de campanha desfavoráveis (seu tempo de TV será mínimo), a ex-ministra Marina Silva demonstra se capaz de atrair voto. Cresceu do patamar registrado na pesquisa anterior (8% a 10%) e ficou entre 15% e 17%, empatada com o candidato Jair Bolsonaro, que vinha ocupando o segundo lugar isolado em todas as pesquisas até agora. Três candidatos disputam o eleitor insatisfeito com Lula e Bolsonaro: Marina, Alckmin e Joaquim. Desses, Marina é quem está na melhor situação. Nas simulações de segundo turno, ela derrotaria tanto Alckmin quanto Bolsonaro – ao contrário de Ciro ou de qualquer um dos petistas fora Lula.

Bolsonaro estagnado – O ex-capitão e deputado ainda é o segundo colocado, com intenções de voto entre 15% e 17%. Mas não saiu do lugar em relação à pesquisa anterior (15% a 20%). Apesar de ser o único nome, fora Lula, a aparecer com destaque na pesquisa espontânea, desde setembro não muda de patamar, na faixa dos 10%. Como está em campanha aberta pelo país, os números revelam sua dificuldade de seduzir o eleitor menos afeito ao discurso da segurança pública. Para conquistar outros públicos, terá de ampliar seu escopo – ou então terá batido no teto. Com uma base de eleitores fieis e decididos, mas limitada, suas chances de chegar ao segundo turno dependem a cada dia mais da pulverização do eleitorado entre vários outros candidatos.

Alckmin patina – Persiste a insensibilidade do eleitorado ao sabor insosso do chuchu paulista. Ele mantém suas intenções de voto no patamar de 6% a 8%. Nas simulações de segundo turno, perde de Marina e empata com Ciro e Bolsonaro. Derrota apenas os eventuais subsitutos de Lula. Isso não significa que sua candidatura esteja morta. Ele tem estrutura partidária, palanques regionais e tempo de TV. Sua estratégia será surgir como última opção ao eleitor insatisfeito com as demais. É natural que a última opção seja feita no final, não no início. Mas há um risco óbvio: ela pode nem ser necessária, se o eleitor estiver satisfeito com as outras. Alckmin nem precisa ser atingido por investigações contra seu partido para definhar. Sua própria estratégia pode se encarregar disso.

Brasília é irrelevante – A pesquisa deixou clara a distância do Planalto para o país. O eleitor nem se coça diante dos nomes de Michel Temer, Henrique Meirelles ou Rodrigo Maia. A entrada ou saída de qualquer um deles na cédula não altera o percentual dos demais candidatos. Sinal de que todas as manobras realizadas pelos próceres de Brasília não têm outra intenção senão valorizar o próprio apoio a outra candidatura, em troca de objetivos políticos como espaço no futuro governo ou da simples proteção do foro privilegiado contra as investidas da Justiça.

Fonte: Portal G1

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