Ministro diz esperar que rebaixamento de nota do Brasil ‘não se concretize’

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou nesta terça-feira (28) que “trabalha” para melhorar a situação econômica do país e que “espera” que o rebaixamento da nota de investimento do Brasil, anunciada pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, “não se concretize”.

A agência manteve a nota de crédito do Brasil em “grau de investimento”, mas alterou a perspectiva para negativa. Com essa revisão, o país ficou mais perto de perder o cobiçado selo de “bom pagador”.

“Estamos trabalhando sempre para melhorar a situação econômica do Brasil. A gente espera que essa tendência anunciada não se concretize. Estamos trabalhando para recuperar o crescimento da economia, controlar a inflação, a situação fiscal”, afirmou Nelson Barbosa, após se reunir com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“Essas questões levam algum tempo, envolvem medidas administrativas e também medidas legislativas, que tem que passar pelo Congresso”, completou.

Após o anúncio da Standard & Poor’s, o Ministério da Fazenda divulgou uma nota reafirmando o compromisso do governo com o ajuste fiscal para reequilibrar a economia brasileira. “O esforço fiscal é essencial para equilibrar a economia brasileira em um ambiente global de incerteza e, junto com iniciativas microeconômicas, aumentar a produtividade do país, criando as condições para a retomada do crescimento na esteira do fim do boom das commodities”, diz a nota.

No mercado financeiro, a nota de um país funciona como um “certificado de segurança” que as agências de classificação dão a países que elas consideram bons pagadores. A nota “BBB-” é o último degrau do chamado grau de investimento concedido a países com baixo risco de calotes a investidores financeiros internacionais.

A perspectiva negativa significa a tendência de rebaixamento da nota do Brasil no futuro, o que pode fazer com que a dívida do país caia para a categoria “especulativa”. Nelson Barbosa disse que a avaliação da Standard & Poor’s é uma “opinião” e destacou que a equipe econômica está atuando para que “a avaliação da economia brasileira seja sempre a melhor”.

“Estamos trabalhando para recuperar o crescimento da economia, que é a variável principal para a sustentabilidade da política fiscal”, completou.

Efeito da Lava Jato
O ministro também comentou o efeito da Operação Lava Jato na crise econômica brasileira. Segundo o Blog do Camarotti, a presidente Dilma Rousseff afirmou a ministros do núcleo político, em reunião nesta segunda (27), que as investigações do esquema de corrupção na Petrobras impactaram a redução do Produto Interno Bruto (PIB) em um ponto percentual.

De acordo com Nelson Barbosa, a Lava Jato pode causar um impacto de “curto prazo” negativo na economia, mas terá efeitos positivos a longo prazo.

“Acho que qualquer investigação, processo de combate à corrupção, é benéfico, mesmo que possa ter algum impacto sobre o nível de atividades e algumas empresas. O Brasil tem instituições sólidas e fortes, e a economia e a sociedade saem mais fortalecidas desse processo. Várias coisas têm impacto de curto prazo, como variação do câmbio. Pode ter impacto na revisão de planos de investimento por parte de algumas empresas, mas no final desse processo a economia sai mais eficiente e transparente”, avaliou.

O ministro foi à Câmara na noite desta terça para apresentar à Cunha o projeto que trata da nova meta fiscal do governo. Na semana passada, a equipe econômica anunciou que decidiu revisar a meta de economia para pagar os juros da dívida – o chamado superávit primário – para R$ 8,747 bilhões em 2015, o equivalente a 0,15% do PIB, ante previsão anterior de R$ 66,3 bilhões (1,19% do PIB).

Fonte: Portal G1

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