O garrote silencioso na Lava Jato

A Operação Lava Jato promoveu ontem sua 48ª fase, chamada Integração, para apurar a corrupção na concessão de rodovias no Paraná durante a gestão do governador Beto Richa (PSDB).

A notícia teve pouco destaque diante de assuntos mais relevantes, como a intervenção federal no Rio de Janeiro ou os movimentos da pré-campanha eleitoral envolvendo o presidente Michel Temer e o ministro Henrique Meirelles. É apenas um dos casos recentes que demonstram o esvaziamento da Lava Jato.

Também foram reveladas contas na Suíça do operador tucano Paulo Preto, que guardam R$ 113 milhões de origem misteriosa. Diretor do Dersa na gestão José Serra em São Paulo, Preto negociou dezenas de contratos com empreiteiras. Personagem de destaque na delação da Odebrecht, é um fio desencapado conhecido há tempos pelo que poderia revelar a respeito da corrupção em governos do PSDB.

As investigações contra ele, tanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) quanto pelo Ministério Público Federal em São Paulo, patinam. Há suspeita de irregularidades nas apurações, pois a defesa de Preto soube da descoberta das contas antes da Polícia Federal.

Nenhuma irregularidade cometida neste caso se compara à ação do ex-procurador Marcello Miller na negociação da delação premiada da JBS. Mensagens divulgadas nesta nesta semana revelam que ele sabia com um dia de antecedência da ação contra o senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-deputado Rodrigo Loures (MDB).

Há evidências também de que Miller tenha preparado o roteiro da delação antes de o empresário Joesley Batista ter gravado Temer no subsolo do Palácio Jaburu. É legítima a suspeita de que tenha orientado seus clientes quando ainda era procurador. Tal suspeita foi o pivô da crise no final da gestão do ex-procurador-geral Rodrigo Janot – e levou à prisão de Joesley e de seu irmão Wesley (libertado esta semana).

A ilegalidade na atuação de Miller poderá pôr a perder todas as descobertas da delação da JBS. A defesa de Aécio já aproveitou para solicitar a anulação das provas recolhidas contra ele, em especial das gravações em que solicitava R$ 2 milhões a Joesley, para entregar a alguém que “depois a gente pode matar”.

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *